Exemplos são sempre referências, venham de onde vierem, sejam positivos ou negativos.
Itaúna pode aprender com o equívoco de Belo Horizonte e não cometer a violência de matar o seu rio.
sexta-feira, 21 de março de 2008
o cartel de belô
(sugiro que leiam antes o post abaixo deste)
Vou deixar de lado o exemplo de Buenos Aires, pois trata-se de uma cidade com um passado muito próspero, que proporcionou um legado urbanístico invejável.
Em Buenos Aires, descobri que a principal diferença entre praça e parque não era o tamanho, mas as grades. Na capital argentina são muitas as praças tão grandes quanto o nosso Parque Municipal.
Mas o prefeito Pimentel invoca também os exemplos de Bogotá e Medellin, ambas na Colômbia. Bogotá passou por uma renovação urbana recente e os resultados parecem ser muito bons. Quanto a Medellín, o que se depreende das fotos da cidade, é que o problema das favelas não está sendo resolvido. Talvez alguns dos problemas que os moradores das favelas possuem estejam sendo resolvidos, mas os problemas urbanísticos e ambientais, inerentes às favelas, não parecem estar sendo equacionados.
Se nos inspirarmos no exemplo de Bogotá, vamos ambicionar espaços amplos, edifícios culturais abundantes, transporte público digno e qualidade ambiental amparada num sistema viário humanizado, em muitas áreas verdes e em boa arquitetura. Os princípios que norteiam essa “utopia” são princípios universais e dizem respeito aos mais profundos compromissos do urbanismo com a sociedade. Estão presentes em Barcelona, em Madrid, em Londres, mas também em Santiago do Chile, em Buenos Aires e em São Paulo, cidade que recentemente adotou a heróica política de eliminação de outdoors.
Belo Horizonte tem cerca de 6000 flanelinhas, sendo a metade deles licenciada pela prefeitura. Os demais, compreensivelmente, devem ter pensado: “se a rua é pública e foi dada de mão beijada para alguns, eu também quero a minha.” Mas aí é só a ponta do iceberg. O espaço público em Belo Horizonte é mera figura literária: joga-se lixo, cobra-se para estacionar, vende-se à publicidade, assalta-se e cheira-se cola. Ah, bebe-se cerveja e usa-se como banheiro, não podemos esquecer.
O resultado não pode ser surpresa: estamos entre as cidades mais violentas do país, não obstante o silêncio dos jornais.
Não conseguimos recursos para a cidade, embora os dois últimos presidentes fossem da mesma corrente política do prefeito (FHC/ Azeredo, Lula/Pimentel). Um dos motivos é, certamente, a pouca ambição dos nossos administradores, a sua visão de um urbanismo da pobreza, que se materializa num urbanismo pobre.
Mas pelo menos em parte vou concordar com o nosso prefeito: Medellín é a nossa cara.
Vou deixar de lado o exemplo de Buenos Aires, pois trata-se de uma cidade com um passado muito próspero, que proporcionou um legado urbanístico invejável.
Em Buenos Aires, descobri que a principal diferença entre praça e parque não era o tamanho, mas as grades. Na capital argentina são muitas as praças tão grandes quanto o nosso Parque Municipal.
Mas o prefeito Pimentel invoca também os exemplos de Bogotá e Medellin, ambas na Colômbia. Bogotá passou por uma renovação urbana recente e os resultados parecem ser muito bons. Quanto a Medellín, o que se depreende das fotos da cidade, é que o problema das favelas não está sendo resolvido. Talvez alguns dos problemas que os moradores das favelas possuem estejam sendo resolvidos, mas os problemas urbanísticos e ambientais, inerentes às favelas, não parecem estar sendo equacionados.
Se nos inspirarmos no exemplo de Bogotá, vamos ambicionar espaços amplos, edifícios culturais abundantes, transporte público digno e qualidade ambiental amparada num sistema viário humanizado, em muitas áreas verdes e em boa arquitetura. Os princípios que norteiam essa “utopia” são princípios universais e dizem respeito aos mais profundos compromissos do urbanismo com a sociedade. Estão presentes em Barcelona, em Madrid, em Londres, mas também em Santiago do Chile, em Buenos Aires e em São Paulo, cidade que recentemente adotou a heróica política de eliminação de outdoors.
Belo Horizonte tem cerca de 6000 flanelinhas, sendo a metade deles licenciada pela prefeitura. Os demais, compreensivelmente, devem ter pensado: “se a rua é pública e foi dada de mão beijada para alguns, eu também quero a minha.” Mas aí é só a ponta do iceberg. O espaço público em Belo Horizonte é mera figura literária: joga-se lixo, cobra-se para estacionar, vende-se à publicidade, assalta-se e cheira-se cola. Ah, bebe-se cerveja e usa-se como banheiro, não podemos esquecer.
O resultado não pode ser surpresa: estamos entre as cidades mais violentas do país, não obstante o silêncio dos jornais.
Não conseguimos recursos para a cidade, embora os dois últimos presidentes fossem da mesma corrente política do prefeito (FHC/ Azeredo, Lula/Pimentel). Um dos motivos é, certamente, a pouca ambição dos nossos administradores, a sua visão de um urbanismo da pobreza, que se materializa num urbanismo pobre.
Mas pelo menos em parte vou concordar com o nosso prefeito: Medellín é a nossa cara.
lições de urbanismo
Ao ler o número recente da revista Sagarana, dedicado a Belo Horizonte, senti um puxão de orelha do nosso prefeito. Afinal, os exemplos trazidos aqui nesse blog, até agora, são todos de grandes cidades do primeiro mundo.
Disse Fernando Pimentel:
“Quando se discute, por exemplo, urbanismo, imediatamente surgem as experiências de Barcelona, famosa em todo mundo, de Madrid ou Londres, (...). É claro que é muito bacana conhecer tudo isso, mas prefeitos latinos-americanos precisam discutir as realidades mais próximas deles. Me interessa muito mais discutir Puerto Madero em Buenos Aires porque a capital argentina é mais parecida conosco em termos de orçamento público, de hábitos e costumes; tem muito mais haver com a nossa realidade, portanto é melhor aprender com Buenos Aires do que com Barcelona ou Londres, metrópoles donas de muito mais recursos, muito mais dinheiro, próximas dos grandes centros financeiros internacionais, portanto, com muito mais capacidades e possibilidades de atrair recursos para os seus projetos. Nós não! Nós temos é que conversar com Bogotá para saber como eles estão resolvendo o problema da violência urbana e conversar com Medellin para saber como eles estão resolvendo os problemas das favelas.”
Leia na íntegra: http://www.revistasagarana.com.br/
Disse Fernando Pimentel:
“Quando se discute, por exemplo, urbanismo, imediatamente surgem as experiências de Barcelona, famosa em todo mundo, de Madrid ou Londres, (...). É claro que é muito bacana conhecer tudo isso, mas prefeitos latinos-americanos precisam discutir as realidades mais próximas deles. Me interessa muito mais discutir Puerto Madero em Buenos Aires porque a capital argentina é mais parecida conosco em termos de orçamento público, de hábitos e costumes; tem muito mais haver com a nossa realidade, portanto é melhor aprender com Buenos Aires do que com Barcelona ou Londres, metrópoles donas de muito mais recursos, muito mais dinheiro, próximas dos grandes centros financeiros internacionais, portanto, com muito mais capacidades e possibilidades de atrair recursos para os seus projetos. Nós não! Nós temos é que conversar com Bogotá para saber como eles estão resolvendo o problema da violência urbana e conversar com Medellin para saber como eles estão resolvendo os problemas das favelas.”
Leia na íntegra: http://www.revistasagarana.com.br/
segunda-feira, 10 de março de 2008
mur island
Recebemos uma dica muito interessante, de um Anônimo, no post sobre o Tâmisa.
É sobre a intervenção do artista Vito Acconci, sobre o rio Mur, na Austria. O blog TECNOMETRO http://tecnometro.blogspot.com/ publicou alguma fotos e aseguinte informação:
Aiola Island, situado en el centro del río Mur en Graz, Austria.Fue construido en el 2003, y de inmediato se ha desarrolladocomo una atracción turística. La "isla", fue creada por el artistaneoyorquino Vito Acconci.
Tiene un solarium, un bar y una cafetería, además de que te permite cruzar el río Mur de una orilla a otra.
No site do artista, clique em WATERFRONTS.
http://www.acconci.com/


É sobre a intervenção do artista Vito Acconci, sobre o rio Mur, na Austria. O blog TECNOMETRO http://tecnometro.blogspot.com/ publicou alguma fotos e aseguinte informação:
Aiola Island, situado en el centro del río Mur en Graz, Austria.Fue construido en el 2003, y de inmediato se ha desarrolladocomo una atracción turística. La "isla", fue creada por el artistaneoyorquino Vito Acconci.
Tiene un solarium, un bar y una cafetería, además de que te permite cruzar el río Mur de una orilla a otra.
No site do artista, clique em WATERFRONTS.
http://www.acconci.com/


sábado, 8 de março de 2008
bacias e comunidades
Quando estava sendo elaborado o Plano Diretor de Itaúna, em 2006, fiquei aguardando a efetivação do caráter "participativo" alardeado pelo poder público e cheguei a levantar o tema em sala de aula. Nesse meio tempo, fiz algumas reflexões. O texto abaixo, desta época, aborda um dos aspectos que me pareceram falhos na proposta que vinha sendo elaborada.
Quando da elaboração do Plano Diretor de Itaúna, estranhei a divisão do território itaunense em bacias hidrográficas. Sei que essa classificação é tecnicamente defensável, mas acho difícil reconhecer a complexidade da cidade, coisa fundamental para o desenvolvimento das ações de planejamento, por suas bacias hidrográficas, mesmo sendo este um modo de descrever o seu sitio.
Reconheço melhor Itaúna, quando se fala em Santanense, Olaria, Morro do Engenho, Angu Seco, Brejo Alegre, Córrego do Soldado, Calambau...
Porque será? Certamente porque, como disse Milton Santos, “o espaço se define como um conjunto de formas representativas de relações sociais do passado e do presente, por uma estrutura representada por relações sociais que estão acontecendo diante dos nossos olhos...” Ou seja, a forma do espaço não é só a forma geográfica, mas aquela que a sociedade constrói a partir das suas relações.
Desde que os homens ocuparam a Terra, o espaço físico perdeu a neutralidade da natureza original e ganhou sentidos diversos com o seu olhar. Por outro lado, se a Ciência pode e deve repartir e fragmentar para melhor conhecer, gerando critérios importantes, não é prudente que se simplifique as diferenças sociais e as aspirações comunitárias só porque moramos sob a influência de um mesmo rio. Basta pensar no que ocorreria se considerássemos os povos da Amazônia com todas as suas particularidades, simples e genericamente como “índios”. Guardadas as devidas proporções, é o que acontece quando nos consideram “habitantes das bacias”: transformam-nos em meros números de estatísticas.
Uma das conseqüências que reputo a essa organização impessoal, que divide uma sociedade humana em função dos acidentes geográficos, foi a baixíssima participação popular nas plenárias realizadas pela prefeitura itaunense. Ora, ninguém se identifica com uma bacia e sim com uma comunidade.
Quando da elaboração do Plano Diretor de Itaúna, estranhei a divisão do território itaunense em bacias hidrográficas. Sei que essa classificação é tecnicamente defensável, mas acho difícil reconhecer a complexidade da cidade, coisa fundamental para o desenvolvimento das ações de planejamento, por suas bacias hidrográficas, mesmo sendo este um modo de descrever o seu sitio.
Reconheço melhor Itaúna, quando se fala em Santanense, Olaria, Morro do Engenho, Angu Seco, Brejo Alegre, Córrego do Soldado, Calambau...
Porque será? Certamente porque, como disse Milton Santos, “o espaço se define como um conjunto de formas representativas de relações sociais do passado e do presente, por uma estrutura representada por relações sociais que estão acontecendo diante dos nossos olhos...” Ou seja, a forma do espaço não é só a forma geográfica, mas aquela que a sociedade constrói a partir das suas relações.
Desde que os homens ocuparam a Terra, o espaço físico perdeu a neutralidade da natureza original e ganhou sentidos diversos com o seu olhar. Por outro lado, se a Ciência pode e deve repartir e fragmentar para melhor conhecer, gerando critérios importantes, não é prudente que se simplifique as diferenças sociais e as aspirações comunitárias só porque moramos sob a influência de um mesmo rio. Basta pensar no que ocorreria se considerássemos os povos da Amazônia com todas as suas particularidades, simples e genericamente como “índios”. Guardadas as devidas proporções, é o que acontece quando nos consideram “habitantes das bacias”: transformam-nos em meros números de estatísticas.
Uma das conseqüências que reputo a essa organização impessoal, que divide uma sociedade humana em função dos acidentes geográficos, foi a baixíssima participação popular nas plenárias realizadas pela prefeitura itaunense. Ora, ninguém se identifica com uma bacia e sim com uma comunidade.
people
Sir Lawrence Alma-Tadema foi um pintor holandês do século XIX, que viveu na Inglaterra, onde foi sagrado cavaleiro (sir) em 1899. Suas pinturas são representações realistas de cenas idealizadas. Escolhi algumas obras onde a água tenha presença. Elas nos lembram de que é a apropriação do espaço pelo homem que dá significado aos lugares.


segunda-feira, 3 de março de 2008
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