(sugiro que leiam antes o post abaixo deste)
Vou deixar de lado o exemplo de Buenos Aires, pois trata-se de uma cidade com um passado muito próspero, que proporcionou um legado urbanístico invejável.
Em Buenos Aires, descobri que a principal diferença entre praça e parque não era o tamanho, mas as grades. Na capital argentina são muitas as praças tão grandes quanto o nosso Parque Municipal.
Mas o prefeito Pimentel invoca também os exemplos de Bogotá e Medellin, ambas na Colômbia. Bogotá passou por uma renovação urbana recente e os resultados parecem ser muito bons. Quanto a Medellín, o que se depreende das fotos da cidade, é que o problema das favelas não está sendo resolvido. Talvez alguns dos problemas que os moradores das favelas possuem estejam sendo resolvidos, mas os problemas urbanísticos e ambientais, inerentes às favelas, não parecem estar sendo equacionados.
Se nos inspirarmos no exemplo de Bogotá, vamos ambicionar espaços amplos, edifícios culturais abundantes, transporte público digno e qualidade ambiental amparada num sistema viário humanizado, em muitas áreas verdes e em boa arquitetura. Os princípios que norteiam essa “utopia” são princípios universais e dizem respeito aos mais profundos compromissos do urbanismo com a sociedade. Estão presentes em Barcelona, em Madrid, em Londres, mas também em Santiago do Chile, em Buenos Aires e em São Paulo, cidade que recentemente adotou a heróica política de eliminação de outdoors.
Belo Horizonte tem cerca de 6000 flanelinhas, sendo a metade deles licenciada pela prefeitura. Os demais, compreensivelmente, devem ter pensado: “se a rua é pública e foi dada de mão beijada para alguns, eu também quero a minha.” Mas aí é só a ponta do iceberg. O espaço público em Belo Horizonte é mera figura literária: joga-se lixo, cobra-se para estacionar, vende-se à publicidade, assalta-se e cheira-se cola. Ah, bebe-se cerveja e usa-se como banheiro, não podemos esquecer.
O resultado não pode ser surpresa: estamos entre as cidades mais violentas do país, não obstante o silêncio dos jornais.
Não conseguimos recursos para a cidade, embora os dois últimos presidentes fossem da mesma corrente política do prefeito (FHC/ Azeredo, Lula/Pimentel). Um dos motivos é, certamente, a pouca ambição dos nossos administradores, a sua visão de um urbanismo da pobreza, que se materializa num urbanismo pobre.
Mas pelo menos em parte vou concordar com o nosso prefeito: Medellín é a nossa cara.
sexta-feira, 21 de março de 2008
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